O poeta é duas vezes poeta quando escreve sobre as reminiscências de sua infância. É que faz o alagoano, Cícero, ao lapidar palavras para reconstruir à memória e a alma de criança no interior de Alagoas. A leitura dos versos do poeta, Cícero, nos lembra que o passado e à memória não existem necessariamente para nos fazer felizes, mas para dizer que fazem parte de história individual e coletiva.
Aldo Rebelo - autor do prefácio
Opinião do blog
O blog destaca nesse primeiro trabalho do poeta Cícero Gomes, de Murici, "O trem que me levou" do livro Palavra de Poeta, cuja autoria é desse muriciense, Cícero Gomes, lançado em 2022 com apoio do então governador, Renan Filho. Este trabalho, foi dedicado à Maria Das Dores; minha madrinha, Ivanilda Vasconcelos; seu Dunga, meu sanfoneiro alado; Wãpurã, razão do meu canto e Odilon Marques Luz.
A poesia
O trem que me levou
O trem que me levou de Murici à Maceió encheu meus olhos de espanto. O barulho do vagão, o apito soando pelo mundo. Os homens falavam de política, do preço do açúcar e, eu era todo olhar nas paisagens.
Lourenço de Albuquerque, Rio Largo, Fernão Velho, Bebedouro. O Rio Mundaú, a Lagoa Mundaú. O mar! O mar! Meu Deus, Maceió era um formigueiro de gente. A primeira maçã que comi, tão maravilhado, puro alumbramento aos olhos do meu pai.
Aquele trem que me levou à Maceió, já não existe, perdeu-se nas engrenagens do tempo.
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