A matança de animais domésticos, na comunidade Muquém, reduto quilombola de União dos Palmares, não pode ser fato comum. Não pode. Depois da impunidade um morador ter usado uma espingarda soca-tempero e atingido o olho direito de uma cadela, agora vem o envenenamento de gatos e até cães na terra de Irinéia Nunes, que faz do barro sua arte de viver. De acordo com a líder espiritual quilombola, Dorinha Cavalcante, cerca de 20 gatos foram envenenados nos últimos meses. Só dela, foram cinco bixanos.
Como no município não existe uma Delegacia de Defesa dos Animais, a impunidade segue frouxa e, assim, o único acusado de ter disparado mais de 50 chumbinhos de uma só vez, contra uma cadela, sendo que um desses chumbinhos atingiu em cheio o olho de uma pet comunitária, tipo boa gente na comunidade, a sociedade palmarina segue sem resposta desse crime contra animais.
O único acusado da história, identificado como Fernando Nunes, ele que chegou a tiracolo com um advogado, nem se quer se tremeu diante do delegado regional de Polícia Civil, Guilherme Iusten, exceto as juras de não ter sido o autor dos disparos contra a cadela. Horas depois, o individuo pegou o beco do interior do CISP 3 de União dos Palmares. De lá, para cá, são 26 dias sem nenhuma resposta ou voz, contando algo, sobre a descoberta do acusado, um caçador de cachorros para matar.
Por outro lado, o animal segue se recuperando, sob os cuidados do médicos veterinário Miguel Bezerra, espécie de São Francisco de Assis, nos dias atuais, na casa de transição, localizado na Várzea Grande. E a matança segue, exatamente, numa localidade onde a liberdade entre pessoas e animais deveria ser harmônica, mas vem sendo resolvida à chumbinhos de espingarda soca-tempero, coisa típica da idade média mesmo.
Dorinha Cavalcante - precisamos descobrir de onde vem a matança aos gatos
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