O vice-prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha, está prestes a mudar a própria trajetória — e, de quebra, a história política recente da capital. Com a saída iminente de JHC para disputar as eleições de 2026, ele deve assumir ainda hoje o comando da prefeitura, abrindo um novo capítulo na gestão municipal.
Não é apenas uma transição. É uma virada. E com peso histórico.
Se confirmada, a saída de JHC marca a primeira renúncia de um prefeito de Maceió para disputar uma eleição em 36 anos. O último foi Guilherme Palmeira, que deixou o cargo em abril de 1990 e acabou eleito senador.
A história pode se repetir. Com outro roteiro. E novos protagonistas.
Nos bastidores, JHC mantém o discurso de que pode disputar o governo, embora o Senado também esteja no radar. Seja qual for o caminho, a decisão empurra Rodrigo Cunha para o centro do poder — e da responsabilidade.
Nas suas redes sociais, Rodrigo Cunha sinalizou mais uma vez, esta semana, que vai seguir junto com JHC.
“Quando o time dá certo, o resultado é esse que vocês estão vendo por toda Maceió. Vamos juntos @jhcdopovo”, escreveu Cunha, em mensagem que reforça alinhamento com o prefeito e sinaliza continuidade administrativa.
A parceria é antiga. Os dois caminham juntos desde 2018, quando percorreram Alagoas – foram eleitos deputado feral e senador - e consolidaram uma aliança que resistiu ao tempo e às mudanças de cenário. Em 2024, Cunha deu um passo incomum ao deixar o Senado para ser vice-prefeito — movimento que, agora, pode ser melhor compreendido.
Confiar em JHC parece ter sido mais do que acerto. Era planejamento de futuro. No projeto, JHC pode ser eleito senador ou governador, e Rodrigo Cunha virar prefeito da capital.
Rodrigo assume com a missão de substituir um prefeito popular, que deixa como marca um estilo de gestão arrojado, forte presença nas redes sociais e entregas em áreas estratégicas. O desafio será manter esse ritmo sem abrir mão de construir identidade própria.
No desenho político, Cunha será o principal fiador do projeto de JHC. O compromisso entre os dois prevê manutenção de parte da equipe atual, pelo menos até as eleições, garantindo estabilidade administrativa durante a transição.
A gestão foi a quatro mãos. E deve seguir alinhada.
A trajetória de Cunha ajuda a explicar o momento. De presidente do Procon a deputado estadual, senador, vice-prefeito e agora prestes a assumir a capital aos 44 anos, ele chega ao cargo com experiência acumulada e, segundo aliados, preparado para a missão.
O desafio é manter o legado de JHC, criar o próprio e pensar adiante.
A posse deve ocorrer logo após a inauguração do Renasce Salgadinho, prevista para o final da tarde deste sábado (04/04) e tratada como a última grande entrega da gestão JHC. A partir daí, Rodrigo Cunha inicia uma nova fase — pessoal, administrativa e política.
Muda o comando. E começa outro ciclo. Rodrigo Cunha tem pela frente o desafio de cair no gosto do povo para disputar a reeleição. Mas essa é outra história. Por Edvaldo Júnior
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