Morre Zé Brejeiro, último dos poetas da Cavungas da Zona da Mata alagoana






Zé Brejeiro - introdutor da poesia matuta nas festas palmarinas



Nivaldo José da Silva foi um trovador que desenvolveu a sua arte poética ainda na infância. Aluno do Rocha Cavalcante, escola de bons mestres da língua pátria, O Zé Brejeiro como era conhecido, era natural de Pernambuco, município de Barreiros, mas aclimatado no sopé da Serra da Barriga, em União dos Palmares.

Ele foi um dos poucos cultores da poesia matuta em Alagoas, onde teve o reconhecimento dos organizadores do 8º Prêmio Cultura Nacional- da série Talento literário, onde lhe rendeu o trófeu Dragão Dourado, da confraria dos poetas da Real Academia de Letras, onde com louvor, recebeu o título de Acadêmico Honorífico.

Morreu esta semana(dia 22) em São Paulo. Zé Brejeiro, ou Nivaldo José da Silva, de 78 anos, não conseguiu vencer um câncer na garganta. Quando vinha a União dos Palmares, terra que ele considerava com natal, ele se hospedavaa na casa do saudoso Dorginho e de Dona Alta, pais do radialista, Kleber Marques.

Lamentava muito não ter sua cidadania palmarina reconhecida pelo Poder Legislativo de União dos Palmares, que culturalmente é inerte. Sofre de anencefalia aguda. E apesar de ter reconhecida a sua capacidade e mestria poética, muito de sua produção intelectual tem um caráter brejeiro.

Mas de um notável saber poético, muitas de suas publicações não ganhou a notoriedade merecida em União dos Palmares por conta de um aleijão cultural de nossos gestores que vem desde a idade da pedra.

Sepultamento de Zé Brejeiro ocorreu em Guarulhos-SP, cidade paulista onde ele tirou os últimos dias para viver ao lado de seus filhos e entes queridos. O mundo literato palmarino está de luto.

Comentários 1

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  1. GOMES escreveu em 24/08/2018 10:16:41:

    Poeta popular Zé Brejeiro no “Balançando o Ganzá”

    O Poeta popular Zé Brejeiro será o convidado especial deste sábado (11) do programa Balançando o Ganzá, que vai ao ar das 14 às 15 horas, na Educativa FM. O programa faz ainda um passeio musical pelo folclore alagoano e exibe canções dedicadas ao Dia dos Namorados.

    Durante o programa Zé Brejeiro bate um papo com o apresentador Ivan Barsand sobre sua vida e obra. O poeta também declama algumas de suas poesias.

    Zé Brejeiro - Filho de José Gaudino da Silva e Quitéria Gaudino de Barros, Nivaldo José da Silva nasceu no município de Barreiros, Pernambuco, em 26 de setembro de 1929.

    Seu pai era operário de usina e trabalhava na usina da cidade pernambucana. Um ano depois, em 1930, seu pai foi trabalhar na usina da cidade de Catende, em Pernambuco.

    Em 1938, transferiu-se para a Usina Laginha, no município de União dos Palmares.

    Em União dos Palmares, Nivaldo estudou o primário no Grupo Escolar Rocha Cavalcanti e o Ginásio no Santa Maria Madalena, quando este ainda funcionava nas dependências do Rocha Cavalcanti.

    Aos 12 anos, costumava ouvir bastante rádio e gostava bastante do programa do poeta matuto Severino de Andrade Silva, o Zé da Luz. Foi a partir dele, que passou a escrever as suas poesias.

    O nome Zé Brejeiro tem uma explicação: o Zé é em homenagem aos grandes poetas matutos que costumava ouvir no rádio, como Zé Praxédi, Zé da Luz e Zé do Norte. Brejeiro é em virtude da idéia de que a poesia matuta é uma poesia brejeira, ou seja, uma poesia que vem do brejo. "A poesia matuta ou poesia sertaneja não deixa de ser uma poesia brejeira", disse ele ao blog.

    Em 1941, após a morte de seu pai, sua mãe o colocou interno em uma escola de aprendizado agrícola, onde ficou estudando até 1945.

    De volta a União dos Palmares, aos 16 anos, foi trabalhar na Usina Laginha como apontador de campo. Depois dessa experiência, trabalhou em uma mercearia embrulhando as vendas. Ali mesmo, nos papéis de embrulho, rascunhava suas poesias.

    Nessa época, serviu o tiro de guerra da cidade, onde era orador oficial; jogou futebol na tradicional equipe do Náutico Futebol Clube, onde era considerado um dos principais jogadores; participou de um grupo de teatro na cidade, idealizado por Miguel Pitombeira; e aventurou-se na música ao fazer parte do Trio Palmares.

    Em 1955, foi convidado pelo Governador da época Muniz Falcão, pra quem trabalhou na política, para ingressar como funcionário da agência dos Correios de União dos Palmares. Quando houve a nomeação para trabalhar nos Correios, deixou a Laginha e veio junto de toda a família morar no centro da cidade.

    Em 1957, transferiu-se para a agência dos correios de Maceió. Mesmo partindo para a capital, Nivaldo nunca perdeu o vínculo com União dos Palmares. No ano seguinte, voltou para para escutar a final da Copa do Mundo de futebol no rádio de Sr. Durval Vieira, um dos maiores comerciantes da época.

    Foi daí que ele começou a fazer poesias sobre futebol e escreveu "Eu vi o Brasil jogar", considerado o seu cartão de visita e a poesia que o tornou conhecido.

    Em Maceió, foi convidado para participar de um programa sertanejo na Rádio Difusora. Pouco tempo depois, foi convidado para participar da fundação da Academia Maceioense de Letras, do qual é membro até a presente data. Uma de suas maiores alegrias até hoje.

    Em dezembro de 1960, quando estava de férias dos Correios, viajou de ônibus até a cidade do Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa. Sua intenção seria publicar um livro com as poesias que havia escrito.

    Em 1961, aos 32 anos, lança seu primeiro livro, "Um matuto desasnado", com prefácio de Romeu de Avelar.

    Nesse mesmo ano, é lotado para trabalhar em uma agência dos correios, localizada na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Gostou tanto da cidade, que morou por 32 anos ininterruptos, no Bairro de Madureira, ao lado da mãe e da irmã caçula.

    Em 1981, lança o seu segundo livro, "O começo do fim", com prefácio do historiador, folclorista, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro Luís da Câmara Cascudo.

    Nivaldo trabalhou ainda como analista tributário da Receita Federal, do qual é funcionário aposentado.

    Em 1993, volta a morar em União dos Palmares, mais precisamente na Rua Dr. Antonio Arecipo. Mas essa sua volta durou pouco tempo. Sete meses depois de sua vinda, um deslizamento de terra atingiu sua casa de madrugada, fazendo com que fosse morar com a família na cidade de Osasco, em São Paulo, onde morou por quatro anos.

    Em 1997, passa a morar novamente na cidade de Maceió, onde ficou por cinco anos. Três anos depois, recebe o Troféu Poetas Alagoanos, realizado pela Secretaria de Cultura da Cidade de Maceió.

    Nessa época, conquistou o 1º lugar no Concurso de Poesias Faladas.

    Em 2001, publica o livro "O começo do fim - 2ª Edição: Aumentada e melhorada", onde inclui mais 20 poesias inéditas, além das que já tinham saído no livro anterior.

    Um ano depois, volta a morar no Rio de Janeiro.

    Um ano e meio depois, muda-se para a cidade de Guarualhos, São Paulo, onde mora até a presente data.

    Em 2008, recebeu o Troféu Cultura Nacional - Talento Literário 2008, pela Ordem da Confraria dos Poetas e Real Academia de Letras. Já no ano seguinte, recebe a Comenda Jorge de Lima, concedida pela Assembléia Legislativa Municipal da Cidade de Maceió. Uma de suas maiores honrarias, até então.

    Em 2010, lançou o livro "Seleção de Ouro - Poesias Sertanejas", com prefácio de Márcio Scherer, Presidente da Real Academia de Letras do Rio Grande do Sul. Nesse livro, estão contidas as 13 melhores poesias de sua autoria, dentre elas "O Imortal Polivalente", que fez em homenagem ao poeta Jorge de Lima.

    Nivaldo ou Zé Brejeiro, o poeta sertanejo, é membro da Academia Maceioense de Letras; da União Brasileira de Escritores; e da Real Academia de Letras do Rio Grande do Sul.



    * Informações extraídas do site http://www.aterradaliberdade.com, no link

    http://www.aterradaliberdade.com/2010/10/nivaldo-jose-da-silva-ze-brejeiro.html.

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