Ceni fala dos planos no Fortaleza e explica saída do São Paulo


Rogério Ceni, novo técnico do Fortaleza-CE



Ceni



Casagrande e Rogério Ceni



Idolo do São Paulo, Rogério Ceni segue vestindo tricolor, só que agora ele é o técnico do Fortaleza. Depois de uma passagem como técnico no Morumbi que durou 37 jogos em apenas seis meses, ele agora se habitua a realidade de comandar uma equipe da série B. No papo com Casagrande para o Esporte Espetacular, o ex-goleiro explicou com detalhes sua saída do São Paulo, disse que deixou o clube sem mágoa e julga não ter sido usado politicamente pela diretoria. Ele fala também de seus planos para o Fortaleza, conta que tem ajudado na montagem do elenco, opinado na melhoria do CT do clube e que está feliz por ver suas opiniões bem aceitas nos diferentes setores do clube cearense.

No quadro Casão FC, o comentarista Walter Casagrande recebe uma personalidade do esporte para um papo franco e com Rogério Ceni não foi diferente. O técnico que deixou o São Paulo com 49,5% de aproveitamento, sendo 37 jogos, 14 vitórias, 13 empates e dez derrotas analisou sua passagem no tricolor paulista em detalhes, passando pela primeira conversa com Leco e a chegada ao clube após a saída de Ricardo Gomes. Ceni julga que começou no lugar certo, mas lamentou ter perdido jogadores velozes e de qualidade que tinha no elenco, citando David Neres, Araújo, Lyanco, Maicon e Thiago Mendes. Ceni falou também sobre seu sistema preferido e as primeiras dificuldades que teve como técnico.

- Como eu comecei com o São Paulo na Florida Cup. Tendo os jogadores para este sistema eu gosto de pressão alta, jogadores de velocidade, primeiro volante que possa entrar entre os zagueiros e liberar bem os alas. No começo do meu trabalho minha dificuldade maior foi desenvolver treinamentos, Michael Beale me ajudou muito com isso, somando também a influência dos 24 ou 25 treinadores com quem trabalhei ao longo da carreira.

Ao fazer um resumo de seu primeiro trabalho como treinador, Ceni não demonstra mágoa com o jeito com que foi demitido, diz que não se sentiu usado pela diretoria e afirma que dificilmente seria treinador no Corinthians ou no Palmeiras.

- Não me decepcionei com a demissão. Lógico que eu fico triste por ter sido mandado embora do clube que eu defendi. Fiz de tudo por este clube. Mas também entendo que a profissão de treinador ela é sujeita a essas coisas. Eu não me senti usado politicamente pela diretoria do clube. Se usou, eu desconheço, mas não me senti usado em momento nenhum e estou sendo super sincero. Acho muito difícil eu treinar Palmeiras ou Corinthians. Mesmo para frente, a história está escrita de uma maneira tão bacana. E também acho que ninguém lá nesses clubes ia querer me contratar, imagina eu entrando no CT deles. Eu tenho muito carinho pelo São Paulo, independente do que tenha acontecido – explica ele.

FORTALEZA

Aos 44 anos, o paranaense de Pato Branco segue tricolor. Só que agora além do branco e do vermelho, ele substituiu o preto pelo azul no comando do Fortaleza. Ele conta como o clube da capital cearense o seduziu, e afirma que está participando da formação do elenco do Leão e que está feliz com a boa recepção de suas opiniões nos diferentes setores do clube.

- Tinha em evento para fazer em Fortaleza e o pessoal do clube me ligou. Aí liguei para o Bosco e ele confirmou. Fui conversar com o pessoal do Fortaleza. Fiquei indeciso, vivi meus últimos 27 anos em São Paulo, fiquei na dúvida. Fui conhecer o CT do clube. Depois o presidente me ligou e eu pedi mais um tempo. Aí o presidente veio a São Paulo e eu coloquei as coisas que precisavam melhorar no CT. Mas para mim é um grande desafio, fui e estou feliz em ir para Fortaleza. O que é diferente em um clube como o Fortaleza é eles gostam que você dê sua opinião em outros setores como o marketing, parte estrutural, nas contratações. Uma coisa que eu fiz foi participar da formação do restante do elenco dentro das possibilidades do orçamento do clube. Já olhei mais de 150 jogadores, estou em contato diário com eles. Todos os departamentos e funcionários do Fortaleza estão querendo ouvir minha opinião.

Fora da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste, Ceni vai focar suas baterias no estadual e na preparação para a competitiva Série B do Brasileirão. Só que o técnico tem se deparado com um orçamento bem mais enxuto do que estava acostumado no São Paulo.

- Só temos dois campeonatos. O cearense até abril, o Fortaleza não classificou para a Copa do Brasil nem para a Copa do Nordeste, e em seguida a série B do Brasileiro. Eu espero conseguir montar um time, que ainda não consegui até esse momento. A concorrência do mercado é muito grande, tem muitos clubes nesta faixa salarial, nesse nível da Série B é tudo muito parecido. Com exceção do Goiás por exemplo, que tem um poder aquisitivo maior e que levou por exemplo o Rafinha, do Brasil de Pelotas, ou o Giovani, do Náutico. Indiquei 20 jogadores e o presidente está trabalhando – encerra ele.

 

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