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Quem faz o blog? Ivan Nunes jornalista desde 2000.
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Turismo

Baoba com sabor de dendê; por Nide Lins


Amalá é peito de boi cozida com quiabo, azeite dendê, camarão seco, gengibre e pó de camarão



Acarajé, o sabor de bem vindo no restaurante Baoba de Mãe Neide



Amendoim com carne defumada e charque é comida de festa



Galinhada, uma das melhores que já comi em Alagoas



Vista de um dos mirantes do Parque dos Quilombos



Restaurante do Baoba em União dos Palmares



Mãe e a mesa de fartura de comidas tradicionais da cultura afro brasileira



Jurema, ótima bebida sagrada. Mãe Neide não revela todos ingredientes. Tem pra vender no restaurante



Fabiana de União dos Palmares, linda modelo afro, trabalha no projeto da Mãe Neide



Cachaça de frutas e ervas do Baoba para ser degustada



Guia Fabio que leva os turistas pelo roteiro do Parque do Quilombo na Serra da Barriga



Arte de dona Irineia no Parque Zumbi dos Palmares na Serra da Barriga



Cristian, capoeirista do Candeias



Parque Memorial Zumbi em União dos Palmares, lugar para visitar, mesmo em dias de neblina


Subi a Serra da Barriga em dia de chuva e neblina, e estava lindo. A nuvem deu charme ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, lugar onde Zumbi comandou a luta contra escravidão, o herói negro assassinado em 20 de novembro de 1695, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra. Lá do alto, o silêncio foi quebrado pelo grupo de capoeira Candeias ao som de berimbau, dando boas vindas aos turistas.

Mas não é só o dia 20 de novembro a data para se visitar o Parque Memorial Quilombo. A agência WS Turismo elegeu as quartas-feiras como dias para se viajar à União Palmares e caminhar pela história do líder Zumbi. O roteiro culmina no restaurante Baoba (árvore da vida), da Mãe Neide, com cardápio de comidas afro-brasileiras.

Roteiro é com sabor, axé e fé, afinal, o visitante deixa de ir às belas praias para saborear cultura alagoana. O guia de turismo, Fábio Bezerra, nascido em União dos Palmares, conduz o grupo com entusiasmo até a Serra da Barriga, onde foram reconstituídas algumas das mais significativas edificações do Quilombo dos Palmares. Com paredes de pau-a-pique, cobertura vegetal e inscrições em banto e yorubá, avista-se o Onjó de farinha (Casa de farinha), Onjó Cruzambê (Casa do Campo Santo), Oxile das ervas (Terreiro das ervas), Ocas indígenas e Muxima de Palmares (Coração de Palmares).

No final do roteiro do Parque são oferecidas laranjas lima, doce que nem mel, da própria região. Depois, descemos a Serra até o restaurante Baoba, encravado na mata atlântica. Neste pedaço de chão, Mãe Neide tem o privilegio de cultivar as hortaliças, ervas, frutas e galinhas de capoeira que abastecem a sua cozinha temperada nas tradições do pó do camarão seco e do dendê.

Bem vindo ? No restaurante, as panelas de barro aquecem as comidinhas afro-brasileiras. Os minis acarajés com camarão seco e caruru dão boas vindas ao Baoba. A iguaria culinária afro-brasileira é comida de Iansã ? orixá dos bons fluidos e das energias positivas.

Amalá ? Os acarajés são bacanas, mas lembre-se, tem panelas de barros fartas de comidas, e uma das que mais aprecio é o Amalá. Na receita, carne do peito de boi cozida com quiabo, azeite dendê, camarão seco e gengibre. Detalhe, não leva sal. Segundo mãe Neide, os escravos usavam pó de camarão seco e ela segue a tradição: é pó de camarão seco, fabricação da casa, que dá sabor divino.

Malungos ? É um prato festivo com amendoim cozido com linguiça, bacon, charque e carne de sol. Segundo Mãe Neide, os negros escravos do Brasil faziam esse prato para comemorar a liberdade de um deles, por exemplo. Sua base é o amendoim, que representa fertilidade.

Galinhada ? A ave de capoeira tem a carne mais escura que o frango de granja, e é muito mais saborosa. Na panela da Mãe Neide, a galinha é cozinhada com alfavaca, pimenta de cheiro, manjericão, cebola roxa e outras ervas. É de comer agradecendo aos orixás pela maravilha.

Sagrado: Jurema (canela, mel, gengibre, casca da arvore jurema e vinho) é uma bebida leve, adocicada e refrescante. Já Xequetê (sem álcool) é feito com suco de maracujá, mel, canela e o gengibre (bem presente no paladar). Ambas são servidas aos comensais, e tem Jurema para comprar à vontade.

Quem é: Maria Neide Martins, conhecida como Mãe Neide Oyá D?Oxum, nasceu no município de Arapiraca. É estudante de gastronomia, mas já é formada no batente dos fogões, cozinheira de mão cheia. Patrimônio vivo cultural do Estado, é Fundadora da ONG Centro de Formação e Inclusão Social Inaê. No Centro Espírita Santa Bárbara, no Conjunto Village Campestre, em Maceió, ela mantém cursos e oficinas profissionalizantes e trabalha em prol da melhoria da comunidade.

Baoba abre às quartas, mas quem deseja ir em um outro dia, basta reunir no mínimo 10 amigos, fazer a reserva, e viajar pelas tradições da culinária afro, também chamada de quilombola.

Cozinha da Mãe é temperada com muita fé.


Axé!

Rota Mãe Neide

Quem faz o passeio é agencia WS Turismo ? com visita ao parque, almoço e transporte. Valor por pessoa ? R$ 125,00 ? Aceita-se cartão. Telefone; 3327.6655/ 99985.3921

Restaurante Baoba trabalha com reserva a partir de 10 pessoas. Telefone 99670.6678

Do blog de Nide Lins que é jornalista e mantém seu blog em parceria com o TNH1 desde 2012 - Com o Blog A Palavra

Publicado em 08/07/2016
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